Quanto vale o seu beijo? O beijo costuma ser o climax de nossas vidas. É a abertura dos portões para o alcance de nosso âmago, de nosso corpo e o que acelera o coração. Mas o que faz do beijo tão importante é a pessoa que escolhemos concede-lo. É aí que as coisas começam a ficar um pouco complicadas. Nem sempre o coração sabe quem esta pessoa deveria ser. Pior ainda, o coração nos faz acreditar que alguem é honesto, poderoso, perfeito, quando na verdade não é… Bem-vindo ao paradoxo interior. Já se questionou por que estamos quase sempre apaixonados pela pessoa errada? Por que não focamos no par ideal de uma vez por todas e na oportunidade devida? Mais confuso, por que é tão difícil deixar alguém que já não te faz bem ou jamais fez, somente pelo fato de que você continua sentindo atração por aquela pessoa? Como os sentimentos conseguem persistir em uma ação contra todas as evidências malígnas que a razão pode apresentar? Uma separação, um divórcio, um esquecimento são sempre difíceis de serem aceitos não importa o quão compreensível e óbvio as razões justificam. Sentimentos estão sempre nos levando a paradoxos contraditórios e não conseguimos compreender o por quê. Mas por que?

paradox

Paradoxos podem nos ensinar, como Oscar Wilde disse: “Um paradoxo é uma verdade de pé sobre sua própria cabeça para chamar a atenção.” O que nos toma a atenção aqui é o efeito que a incerteza pode ter. Em 1995 A. E. Fisher conduziu um experimento com filhotinhos de cachorro, seu time separou tres grupos de cachorrinhos. Membros do primeiro grupo foram tratados carinhosamente todas as vezes que eles se aproximavam dos cuidadores. Membros do segundo grupo foram castigados por se aproximarem dos cuidadores. E os cachorrinhos do terceiro grupo foram tratados aleatoriamente tanto com carinho quanto com castigo. O terceiro grupo cresceu sem nunca saber o que esperar. O mundo deles não era somente um mundo de bondade ou punição mas também de incertezas. O que é mais impressionante é que os estudantes descobriram que os cachorrinhos do terceiro grupo acabaram sendo os mais apegados a seus cuidadores. Com o passar do tempo eles desenvolveram mais dependência e amor por seus cuidadores. Guy Murchie chamou isto de princípio de polaridade:

 

“stress, incluindo o stress mental da incerteza, é um ingrediente anexado ao amor e talvez até manifestações de ódio (seu oposto polar) de alguma forma intensifica o amor.”

 

Incerteza, psicologicamente, pode nos levar a um dos maiores sentimentos de obsessão e dependência. Soa retórico e fora de controle, por isso não é surpresa que constantemente reagimos com casos de amor cego e aceitação diante de injustiças obviamente mesquinhas. Sendo bom ou ruim em nossas vidas, o que mais faríamos? Nós SOMOS aquele terceiro grupo de cachorrinhos. Porém, investigando incertezas e conquistando-as para alcançar as melhores decisões possíveis é vantajoso. Ao longo do tempo a vida tem favorecido as atividades que transformam incertezas em conhecimento. Nem todos lá fora são pares perfeitos para você, mas se não fosse importante de todos os que você escolhesse dar um beijo, tirar uma prova, não haveria oportunidades de se sentir tão bem e não despertaria tanto prazer. Então levante já essa bunda daí e vá dar um beijo hoje : )

 

Uma moeda por seus pensamentos: